{"id":1059,"date":"2020-06-01T23:58:56","date_gmt":"2020-06-02T02:58:56","guid":{"rendered":"https:\/\/uncme.org.br\/inicio\/?p=1059"},"modified":"2020-09-15T00:06:08","modified_gmt":"2020-09-15T03:06:08","slug":"educacao-bilingue-em-discussao-no-cne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uncme.org.br\/inicio\/blog\/educacao-bilingue-em-discussao-no-cne\/","title":{"rendered":"Educac\u00e3o Bil\u00edngue em discuss\u00e3o no CNE."},"content":{"rendered":"\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o de Diretrizes Curriculares Nacionais pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o federal conforme os termos do inciso IV da Lei no 9.394\/96, Diretrizes e Bases da Educacao Nacional (LDB) e al\u00ednea \u201cc\u201d do artigo 9o da Lei no 9.131\/95 sobre as atribui\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara de Educacao B\u00e1sica. As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica foram normatizadas pelo Parecer CNE\/CEB no 7\/2010 e Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB no 4\/2010.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, a legisla\u00e7\u00e3o educacional brasileira regulamenta a \u201ceduca\u00e7\u00e3o ind\u00edgena\u201d e a \u201ceduca\u00e7\u00e3o especial de surdos\u201d. Em conson\u00e2ncia com postulados internacionais, a exemplo da Declara\u00e7\u00e3o Universal do Direitos Humanos de 1948 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e da Declara\u00e7\u00e3o da ONU de 2007, o direito de \u201cutiliza\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas maternas e processos pr\u00f3prios de aprendizagem\u201d das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas \u00e9 assegurado pelo \u00a7 2o do art. 210 da Constituicao Federal de 1988 e pela Conven\u00e7\u00e3o no 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), promulgada por meio do Decreto no 5.051\/2004. O Decreto n o 6.861\/2009 ainda disp\u00f5e sobre a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgenas e modos de organiza\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rios \u00e9tnico-educacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sistema de Ensino da Uni\u00e3o, com a colabora\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias federais de fomento \u00e0 cultura e de assist\u00eancia aos \u00edndios, desenvolver\u00e1 programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educa\u00e7\u00e3o escolar biling\u00fce e intercultural aos povos ind\u00edgenas, com os seguintes objetivos:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; proporcionar aos \u00edndios, suas comunidades e povos, a recupera\u00e7\u00e3o de suas mem\u00f3rias hist\u00f3ricas; a reafirma\u00e7\u00e3o de suas identidades \u00e9tnicas; a valoriza\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas e ci\u00eancias;<br>II &#8211; garantir aos \u00edndios, suas comunidades e povos, o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, conhecimentos t\u00e9cnicos e cient\u00edficos da sociedade nacional e demais sociedades ind\u00edgenas e n\u00e3o-\u00edndias.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o artigo 79 da Lei 9.394\/96 (LDB) assevera que:<\/p>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o apoiar\u00e1 t\u00e9cnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educa\u00e7\u00e3o intercultural \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa.<br>\u00a7 1o Os programas ser\u00e3o planejados com audi\u00eancia das comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2o Os programas a que se refere este artigo, inclu\u00eddos nos Planos Nacionais de Educa\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o os seguintes objetivos:<br>I &#8211; fortalecer as pr\u00e1ticas s\u00f3cio-culturais e a l\u00edngua materna de cada comunidade ind\u00edgena;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; manter programas de forma\u00e7\u00e3o de pessoal especializado, destinado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar nas comunidades ind\u00edgenas;<br>III &#8211; desenvolver curr\u00edculos e programas espec\u00edficos, neles incluindo os conte\u00fados culturais correspondentes \u00e0s respectivas comunidades;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; elaborar e publicar sistematicamente material did\u00e1tico espec\u00edfico e diferenciado. \u00a7 3o No que se refere \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior, sem preju\u00edzo de outras a\u00e7\u00f5es, o atendimento aos povos ind\u00edgenas efetivar-se-\u00e1, nas universidades p\u00fablicas e privadas, mediante a oferta de ensino e de assist\u00eancia estudantil, assim como de est\u00edmulo \u00e0 pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. (Inclu\u00eddo pela Lei no 12.416, de 2011)<\/p>\n\n\n\n<p>No CNE, foram celebradas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena, conforme Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB no 05\/2012 e Parecer CNE\/CEB no 13\/2012. Complementam esses documentos normas espec\u00edficas para a forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas em cursos de Educacao Superior e de Ensino M\u00e9dio, conforme Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CP no 1\/2015 e Parecer CNE\/CP no 6\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, este Parecer abarca as escolas bil\u00edngues cujas l\u00ednguas ind\u00edgenas s\u00e3o as maternas, sendo a l\u00edngua portuguesa a segunda l\u00edngua, podendo ainda haver uma terceira l\u00edngua. A organiza\u00e7\u0101o curricular deve cumprir os princ\u00edpios aqui estabelecidos, sem preju\u00edzo do disposto na legisla\u00e7\u00e3o vigente. Por outro lado, as escolas n\u00e3o bil\u00edngues que acolhem popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas tamb\u00e9m devem cumprir a legisla\u00e7\u00e3o escolar ind\u00edgena, a qual explicita princ\u00edpios, valores e orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica para curr\u00edculos e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas no sentido da interculturalidade, o que requer espa\u00e7os para manifesta\u00e7\u00f5es, uso e valoriza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201ceduca\u00e7\u00e3o especial de surdos\u201d \u00e9 contemplada pelo Decreto no 5.626\/2005, que regulamentou a Lei no 10.436\/2002, conforme segue:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 22 As institui\u00e7\u00f5es federais de ensino respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica devem garantir a inclus\u00e3o de alunos surdos ou com defici\u00eancia auditiva, por meio da organiza\u00e7\u00e3o de:<br>I \u2013 escolas e classes de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bil\u00edngues, na educa\u00e7\u00e3o infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental; II \u2013 escolas bil\u00edngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino m\u00e9dio ou educa\u00e7\u00e3o profissional, com docentes das diferentes \u00e1reas do conhecimento, cientes da singularidade lingu\u00edstica dos alunos surdos, bem como com a presen\u00e7a de tradutores e int\u00e9rpretes de Libras \u2013 L\u00edngua Portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1o S\u00e3o denominadas escolas ou classe de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue aquelas em que Libras e a modalidade escrita da Lingua Portuguesa sejam l\u00ednguas de instru\u00e7\u00e3o utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo.<br>\u00a7 2o Os alunos t\u00eam direito \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o em um turno diferenciado ao do atendimento educacional especializado para o desenvolvimento de complementa\u00e7\u00e3o curricular, com utiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos e ecnologias de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>2<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3o As mudan\u00e7as decorrentes da implementa\u00e7\u00e3o dos incisos I e II implicam a formaliza\u00e7\u00e3o pelos pais e pelos pr\u00f3prios alunos, de sua op\u00e7\u00e3o ou proferencia pela educa\u00e7\u00e3o sem o uso de Libras.<br>\u00a7 4o O disposto no \u00a7 2o deste artigo deve ser garantido tamb\u00e9m para os alunos n\u00e3o usu\u00e1rios de Libras.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 23 As institui\u00e7\u00f5es federais de ensino, de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior, devem proporcionar aos alunos surdos os servi\u00e7os de tradutor e int\u00e9rprete de Libras \u2013 L\u00edngua Portuguesa em sala de aula e em outros espa\u00e7os educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1o Deve ser proporcionado aos professores acesso \u00e0 literatura e informa\u00e7\u00f5es sobre a especificidade lingu\u00edstica do aluno surdo. \u00a7 2o As institui\u00e7\u00f5es privadas e as p\u00fablicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscar\u00e3o implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com defici\u00eancia auditiva o acesso \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei no 13.146\/2015 instituiu a Lei Brasileira da Pessoa com Defici\u00eancia (Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia), cujo inciso IV do art. 28 assegura:<\/p>\n\n\n\n<p>a oferta de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, em Libras como primeira l\u00edngua e na modalidade escrita da l\u00edngua portuguesa como segunda l\u00edngua, em escolas e classes bil\u00edngues e em escolas inclusivas. O inciso XI, sublinha a necessidade de \u201cforma\u00e7\u00e3o e disponibiliacao de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e int\u00e9rpretes da Libras, de guias int\u00e9rpretes e de profissionais de apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando as especificidades dos dispositivos legais nacionais sobre o bilinguismo para as popula\u00e7\u00f5es surdas, esta regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tratar\u00e1 de bilinguismo envolvendo essas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Concomitantemente com as ocorr\u00eancias de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue e de valoriza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas maternas pelas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, este parecer objetiva as ocorr\u00eancias envolvendo a l\u00edngua portuguesa e l\u00ednguas estrangeiras modernas na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Dada a aus\u00eancia de orienta\u00e7\u00f5es nacionais, faz-se necess\u00e1rio estabelecer normatiza\u00e7\u00e3o sobre princ\u00edpios, conceitos, valores e orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica para a \u201ceduca\u00e7\u00e3o bil\u00edngue\u201d nas \u201cescolas bil\u00edngues\u201d. Tamb\u00e9m ser\u00e1 estabelecida as diferen\u00e7as entre \u201cescolas bil\u00edngues\u201d e \u201cescolas internacionais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o do crescimento exponencial de escolas bil\u00edngues pelo pa\u00eds, o CNE passou a receber reiteradas solicita\u00e7\u00f5es sobre a necessidade de normatiza\u00e7\u00e3o. Simultaneamente, promovemos e participamos de encontros com institui\u00e7\u00f5es educacionais p\u00fablicas e privadas, envolvendo gestores, produtores de materiais, estudiosos do tema e coordenadores da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (SEB\/MEC). Recepcionamos e problematizamos no CNE experi\u00eancias privadas e p\u00fablicas, a exemplo da pioneira edi\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue em comunidades carentes na cidade do Rio de Janeiro e do programa tamb\u00e9m desenvolvido na rede p\u00fablica na cidade de Londrina, no Paran\u00e1. Al\u00e9m disso, ao longo de 2019, conhecemos e debatemos as normas estabelecidas em S\u00e3o Paulo (2008 e 2012), no Rio de Janeiro (2013) e em Santa Catarina (2016).<\/p>\n\n\n\n<p>3<\/p>\n\n\n\n<p>2. An\u00e1lise<\/p>\n\n\n\n<p>2.1 Fundamentos Legais<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o inciso XIV do art. 5o da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934, \u201ccompete privativamente \u00e0 Uni\u00e3o: tra\u00e7ar as diretrizes da educa\u00e7\u00e3o nacional\u201d. Na mesma constitui\u00e7\u00e3o, o art 150 destacava que tamb\u00e9m competia \u00e0 Uni\u00e3o \u201ca) fixar o plano nacional de educa\u00e7\u00e3o, compreensivo do ensino de todos os graus e ramos, comuns e especializados; e coordenar e fiscalizar a sua execu\u00e7\u00e3o, em todo o territ\u00f3rio do Pa\u00eds\u201d. O art. 152 assim destacava:<\/p>\n\n\n\n<p>Art 152 &#8211; Compete precipuamente ao Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, organizado na forma da lei, elaborar o plano nacional de educa\u00e7\u00e3o para ser aprovado pelo Poder Legislativo e sugerir ao Governo as medidas que julgar necess\u00e1rias para a melhor solu\u00e7\u00e3o dos problemas educativos bem como a distribui\u00e7\u00e3o adequada dos fundos especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Os Estados e o Distrito Federal, na forma das leis respectivas e para o exerc\u00edcio da sua compet\u00eancia na mat\u00e9ria, estabelecer\u00e3o Conselhos de Educa\u00e7\u00e3o com fun\u00e7\u00f5es similares \u00e0s do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e departamentos aut\u00f4nomos de administra\u00e7\u00e3o do ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1946, art. 5o, inciso XV, al\u00ednea d, a compet\u00eancia privativa educacional da Uni\u00e3o se manifestou em termos de legislar sobre \u201cdiretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional\u201d. \u00c9 ilustrativo e necess\u00e1rio o esclarecimento sobre o alcance desses termos:<\/p>\n\n\n\n<p>(&#8230;) bases s\u00e3o fundamentos, vigas de sustenta\u00e7\u00e3o, elementos estruturantes de um corpo. Diretrizes denotam o conceito de alinhamento e, no caso, de normas de procedimento. Aplicados os conceitos \u00e0 norma educativa, infere-se que as bases remetam \u00e0 fun\u00e7\u00e3o substantiva da educa\u00e7\u00e3o organizada. Comp\u00f5em-se, portanto, de princ\u00edpios, estrutura axiol\u00f3gica, dimens\u00f5es teleol\u00f3gicas e contorno de direitos. A este conjunto, podemos chamar de fun\u00e7\u00f5es substantivas. As diretrizes, por outro lado, invocam a dimens\u00e3o adjetiva da educa\u00e7\u00e3o organizada. Encorpam-se, por conseguinte, em modalidades de organiza\u00e7\u00e3o, ordenamento da oferta, sistemas de confer\u00eancia de resultados e procedimentos para a articula\u00e7\u00e3o inter e intrassistemas. As bases det\u00eam um conte\u00fado de concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, as diretrizes, um conte\u00fado de formula\u00e7\u00e3o objetiva. (Moaci Alves Carneiro. LDB f\u00e1cil. 23a ed. Revista e ampliada. Petr\u00f3polis-RJ: Vozes, 2015, p. 35.)<\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 manteve a ess\u00eancia desses postulados, os quais repercutem na Lei 9.394\/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 LDB). A LDB implica na dimens\u00e3o nacional da educa\u00e7\u00e3o, conforme o inciso XXIV do art. 22 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal: \u201cCompete privativamente \u00e0 Uni\u00e3o legislar sobre: \u2013 diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o inciso III do art. 205 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece o \u201cpluralismo de id\u00e9ias e de concep\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, e coexist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas de ensino\u201d. De modo a circunscrever essa liberdade aos des\u00edgnios e objetivos da na\u00e7\u00e3o, a mesma Constitui\u00e7\u00e3o ressalta nos incisos I e II do art. 209 que \u201co ensino \u00e9 livre \u00e0 iniciativa privada, atendidas as seguintes condi\u00e7\u00f5es: cumprimento das normas gerais da educa\u00e7\u00e3o nacional; autoriza\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de ualidade pelo Poder P\u00fablico\u201d. O art. 206 descreve os princ\u00edpios nacionais da educa\u00e7\u00e3o e sua correla\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o do ensino, enquanto o art. 208<\/p>\n\n\n\n<p>4<\/p>\n\n\n\n<p>delineia a estrutura e o dever de agir do estado para que os princ\u00edpios e valores adquiram materialidade e cumpram a sua funcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os princ\u00edpios, os valores e as finalidades constitucionais est\u00e3o refletidos na LDB. Na quest\u00e3o lingu\u00edstica, o \u00a7 2o do art. 210 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 assinala que \u201cO ensino fundamental regular ser\u00e1 ministrado em l\u00edngua portuguesa, assegurada \u00e0s comunidades ind\u00edgenas tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas maternas e processos pr\u00f3prios de aprendizagem. (grifo nosso). Analogamente, conforme o disposto no \u00a7 3o do art. 32 da LDB, o \u201cEnsino Fundamental regular ser\u00e1 ministrado em l\u00edngua portuguesa\u201d (grifo nosso). J\u00e1 segundo o art. 26 da LDB, cuja reda\u00e7\u00e3o foi dada pela Lei no 12.796, de 2013:<\/p>\n\n\n\n<p>Os curr\u00edculos da educa\u00e7\u00e3o infantil, do ensino fundamental e do ensino m\u00e9dio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas caracter\u00edsticas regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1o Os curr\u00edculos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da l\u00edngua portuguesa e da matem\u00e1tica, o conhecimento do mundo f\u00edsico e natural e da realidade social e pol\u00edtica, especialmente do Brasil. (grifos nossos)<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recente, o art. 35A da LDB, cuja reda\u00e7\u00e3o foi dada pela Lei no 13.415, de 2017, nos seus \u00a7 3o e \u00a7 4o enfatiza que:<\/p>\n\n\n\n<p>O ensino da l\u00edngua portuguesa e da matem\u00e1tica ser\u00e1 obrigat\u00f3rio nos tr\u00eas anos do ensino m\u00e9dio, assegurada \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, tamb\u00e9m, a utiliza\u00e7\u00e3o das respectivas l\u00ednguas maternas.<br>Os curr\u00edculos do ensino m\u00e9dio incluir\u00e3o, obrigatoriamente, o estudo da l\u00edngua inglesa e poder\u00e3o ofertar outras l\u00ednguas estrangeiras, em car\u00e1ter optativo, preferencialmente o espanhol, de acordo com a disponibilidade de oferta, locais e hor\u00e1rios definidos pelos sistemas de ensino. (grifos nossos)<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo exposto, pode-se depreender que a reiterada men\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua portuguesa na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica objetiva a manuten\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico constitu\u00eddo e a comunica\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es e distintas regi\u00f5es que perfazem o pa\u00eds, tendo em vista a continuidade da unidade nacional. De acordo com o art. 3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988: \u201cConstituem objetivos fundamentais da Rep\u00fablica Federativa do Brasil: I &#8211; construir uma sociedade livre, justa e solid\u00e1ria; II &#8211; garantir o desenvolvimento nacional\u201d. (grifo nosso)<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, somam-se \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal os postulados com os quais o Brasil se comprometeu em decorr\u00eancia da assinatura de tratados de coopera\u00e7\u00e3o internacional com implica\u00e7\u00f5es para o bilinguismo. Um exemplo \u00e9 o Decreto no 591\/92, que aprovou o Pacto Internacional sobre os direitos econ\u00f4micos, sociais e culturais da ONU (1966). O art. 13 do anexo a esse decreto enuncia que:<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Concordam em que a educa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 visar ao pleno desenvolvimento da personalidade humana e do sentido de sua dignidade e fortalecer o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais. Concordam ainda em que a educa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 capacitar todas as pessoas a participar efetivamente de uma sociedade livre, favorecer a compreens\u00e3o, a toler\u00e2ncia e a amizade entre todas as na\u00e7\u00f5es e entre todos os grupos raciais, \u00e9tnicos ou religiosos e promover as atividades das Na\u00e7\u00f5es Unidas em prol da manuten\u00e7\u00e3o da paz.<\/p>\n\n\n\n<p>5<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, pelos termos de coopera\u00e7\u00e3o entre o Mercosul e a Comunidade Europ\u00e9ia, regulamentados pelo Decreto Legislativo no 10\/97 e aprovado pelo Decreto no 3.192\/99, em especial o art. 20, o Brasil subscreveu que \u201cAs Partes fomentar\u00e3o a conclus\u00e3o de acordos entre centros de forma\u00e7\u00e3o, bem como a realiza\u00e7\u00e3o de encontros entre organismos respons\u00e1veis pelo ensino e pela forma\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de integra\u00e7\u00e3o regional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Demandas sobre educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue dialogam com diversos fatores sociais, seja de ordem internacional, nacional ou regional, frequentemente em raz\u00e3o de peculiaridades hist\u00f3ricas nas quais a interculturalidade demanda a\u00e7\u00f5es do aparato legal constitu\u00eddo. No contexto vigente, a expans\u00e3o da oferta e da demanda por educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue se deve \u00e0 insafisfa\u00e7\u00e3o com os resultados alcan\u00e7ados na educa\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, ao aumento da percep\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia da segunda l\u00edngua e ao vislumbre de determinadas fam\u00edlias de que seus herdeiros e herdeiras eventualmente possam completar parte dos estudos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica ou mesmo o ensino superior fora do Brasil. Implicito a\u00ed a percep\u00e7\u00e3o de valora\u00e7\u00e3o cultural e expectativa de desdobramentos mais favor\u00e1veis no mundo do trabalho, considerando as injun\u00e7\u00f5es decorrentes do incremento do fen\u00f4meno digital e suas tecnologias na determina\u00e7\u00e3o do ecossistema de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No CNE, a discuss\u00e3o da tem\u00e1tica do bilinguismo ocorre h\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas. Da lavra do eminente Conselheiro Carlos Roberto Jamil Cury, o Parecer CNE\/CEB no 26\/2001 tra\u00e7a um cen\u00e1rio que remonta \u00e0 reg\u00eancia do ent\u00e3o Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o. Destaco a sua reflex\u00e3o sobre as singularidades das compet\u00eancias concorrenciais entre os entes federados:<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m no art. 24 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal figuram as compet\u00eancias concorrentes entre a Uni\u00e3o, Estados e Distrito Federal. \u00c9 preciso observar que, neste caso, s\u00e3o assuntos sobre os quais estes entes federativos podem legislar. O inciso IX deste artigo diz ser mat\u00e9ria concorrente de todos educa\u00e7\u00e3o, cultura, ensino e desporto. Destaque- se, tamb\u00e9m, o que dizem os quatro par\u00e1grafos deste artigo. \u00a7 1.o No \u00e2mbito da legisla\u00e7\u00e3o concorrente, a compet\u00eancia da Uni\u00e3o limitar-se-\u00e1 a estabelecer normas gerais. \u00a7 2.o A compet\u00eancia da Uni\u00e3o para legislar sobre normas gerais n\u00e3o exclui a compet\u00eancia suplementar dos Estados. \u00a7 3.o Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercer\u00e3o a compet\u00eancia legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. \u00a7 4.o A superveni\u00eancia de lei federal sobre normas gerais suspende a efic\u00e1cia da lei estadual, no que lhe for contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, sendo a educa\u00e7\u00e3o uma mat\u00e9ria de natureza concorrencial, isto \u00e9, em que mais de um participante pode intervir simultaneamente na consecu\u00e7\u00e3o e no atendimento das finalidades maiores e comuns, a compet\u00eancia da Uni\u00e3o limitar-se-\u00e1 \u00e0s normas gerais (\u00a71o do art. 24), n\u00e3o podendo estas ter um car\u00e1ter exaustivo. Deixa-se aos outros entes a complementa\u00e7\u00e3o ou suplementa\u00e7\u00e3o, no que couber (\u00a7 2o do art. 24 e inciso II do art. 30). Portanto, mesmo que n\u00e3o houvesse delega\u00e7\u00e3o, haveria espa\u00e7o para que os Estados membros pudessem complementar as normas gerais, no que for de sua jurisdi\u00e7\u00e3o. Esta delega\u00e7\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica regulamentadora dos \u00f3rg\u00e3os normativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, uma das primeiras demandas de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue no pa\u00eds:<\/p>\n\n\n\n<p>Em base ao art. 104 da Lei no 4.024\/61 que facultava cursos ou escolas experimentais, os Conselhos Estaduais poderiam autorizar o funcionamento de tais cursos ou escolas<\/p>\n\n\n\n<p>6<\/p>\n\n\n\n<p>desde que fossem cursos prim\u00e1rios e m\u00e9dios. No caso de experi\u00eancias pedag\u00f3gicas bil\u00edng\u00fces, o Parecer no 290\/67 do CFE autorizou explicitamente o funcionamento do Liceu Pasteur de S\u00e3o Paulo sob condi\u00e7\u00f5es determinadas a serem controladas pelos Conselhos Estaduais de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo reconhecendo as compet\u00eancias complementares dos entes estaduais, o Conselheiro Jamil Cury problematiza as altera\u00e7\u00f5es havidas a partir da LDB de 1996, sugerindo a pertin\u00eancia da atualidade dos termos do Parecer do Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o 290\/67 sobre o ensino bil\u00edngue:<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista pr\u00e1tico \u00e9 preciso considerar, mesmo com a flexibilidade da lei, as cautelas postas no parecer CFE 290\/67. Elas s\u00e3o cab\u00edveis. Se a nova LDB exige o ensino fundamental dado em l\u00edngua portuguesa e especifica para as comunidades ind\u00edgenas o uso de suas l\u00ednguas maternas, o Parecer CEB 4\/98 das Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e a respectiva Resolu\u00e7\u00e3o estendem o sentido de l\u00edngua materna para os filhos de comunidades de imigrantes advindos sobretudo de nossa forma\u00e7\u00e3o afro-europ\u00e9ia. Afinal, est\u00e1 se fazendo jus ao \u00a7 1 o do art. 215 da Constitui\u00e7\u00e3o que diz ser dever do Estado a prote\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es das culturas populares, ind\u00edgenas e afro &#8211; brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizat\u00f3rio nacional. Logo, a l\u00edngua portuguesa deve merecer aten\u00e7\u00e3o especial em todo o per\u00edodo da escolariza\u00e7\u00e3o. Esta indica\u00e7\u00e3o casa-se perfeitamente, em um estabelecimento bil\u00edng\u00fce autorizado, com o art. 13 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal que diz ser a tal l\u00edngua o idioma oficial da Rep\u00fablica Federativa do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o Conselheiro Jamil Cury enuncia o seu voto, nos seguintes termos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 vista do exposto, somos de parecer que, reconhecida a compet\u00eancia exclusiva do Estado Nacional Brasileiro em firmar acordos com Estados Nacionais estrangeiros, reconhecida a compet\u00eancia privativa do Estado Nacional para legislar sobre as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o, os estabelecimentos de escolas bil\u00edng\u00fces, ainda que seus mantenedores sejam particulares, cujos cursos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica decorram destes acordos, est\u00e3o sob a jurisdi\u00e7\u00e3o concorrente da Uni\u00e3o e dos Estados\u2013membros. Portanto, na exist\u00eancia pr\u00e9via de um acordo entre o Estado Brasileiro e um Estado estrangeiro que comporte a possibilidade de escolas bil\u00edng\u00fces, cabe aos seus \u00f3rg\u00e3os executivos da educa\u00e7\u00e3o em conson\u00e2ncia com os respectivos \u00f3rg\u00e3os normativos efetivar tal atribui\u00e7\u00e3o. Esta compet\u00eancia jurisdicional concorrente deve, em qualquer caso, ter presente o respeito \u00e0s normas gerais da educa\u00e7\u00e3o nacional postas pela LDB &#8212; compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o&#8211; e, no que couber, por outras leis de car\u00e1ter nacional, inclusive as exig\u00eancias do Parecer CFE 290\/67. A capacidade assegurada de legislar complementarmente sobre a mat\u00e9ria face aos ditames legais e face \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o advinda de legisla\u00e7\u00f5es passadas \u00e9 compet\u00eancia concorrente dos sistemas de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, as exig\u00eancias do Parecer CFE 290\/67 assinalavam que a l\u00edngua portuguesa deveria estar presente em todas as s\u00e9ries e que seus professores deveriam ser brasileiros ou brasileiras, assim como quem regesse as disciplinas de hist\u00f3ria, geografia e educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, que tamb\u00e9m deveriam se dar em l\u00edngua p\u00e1tria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, a tem\u00e1tica foi objeto de reflex\u00e3o no CNE pelo eminente Conselheiro Francisco Aparecido Cord\u00e3o no Parecer CNE\/CEB no 23\/2009. Ainda que a quest\u00e3o fosse sobre<\/p>\n\n\n\n<p>7<\/p>\n\n\n\n<p>funcionamento de escola internacional no Distrito Federal, o que ali se observa \u00e9 um quadro antecipado da necessidade de normatiza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Escolas estrangeiras regidas por legisla\u00e7\u00e3o de seus respectivos pa\u00edses.<\/li><li>Escolas internacionais cujos acordos de coopera\u00e7\u00e3o permitem a validade decertificados e diplomas no pa\u00eds de origem e no Brasil.<\/li><li>Escolas estrangeiras que oferecem cursos regulares de livre escolha em l\u00ednguaportuguesa.<\/li><li>Escolas mantidas por brasileiros no exterior, a exemplo do Jap\u00e3o, cujoreconhecimento dos estudos \u00e9 feito pela CEB\/CNE.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Por fim, o Conselheiro Cord\u00e3o reafirma que \u201co debate sobre este assunto precisa ser aprofundado por esta Camara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, envolvendo a equipe da Assessoria Internacional do MEC e, conforme o caso, os respectivos Conselhos Estaduias de Educa\u00e7\u00e3o e o Conselho de Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Parecer CNE\/CEB no 6\/2013 e a Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB no 1\/2013, do eminente Conselheiro Antonio Iba\u00f1ez Ruiz, normatizam as condi\u00e7\u00f5es de valida\u00e7\u00e3o de documentos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica emitidos a estudantes brasileiros no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, a Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CP no 2, de 22 de dezembro de 2017, instituiu a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educa\u00e7\u00e3o Infantil e Ensino fundamental e a Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CP no 4, de 17 de dezembro de 2018, instituiu a BNCC do Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao bilinguismo, a BNCC consagra a l\u00edngua inglesa como \u00fanica l\u00edngua estrangeira obrigat\u00f3ria na \u00e1rea de Linguagens nos anos finais do Ensino Fundamental II e no Ensino M\u00e9dio. Na entanto, a men\u00e7\u00e3o expl\u00edcita \u00e0 l\u00edngua inglesa n\u00e3o deve impedir a ado\u00e7\u00e3o de uma segunda l\u00edngua estrangeira e nem restringir o valor cultural do legado hist\u00f3rico de outras l\u00ednguas no pa\u00eds. O fato \u00e9 que, a despeito de adotarmos uma \u00fanica l\u00edngua oficial, temos um patrom\u00f4nio nacional de cerca de 220 l\u00ednguas entre as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas (Maher, 2013). Portanto, o bilinguismo \u00e9 inerente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Brasil (Cavalcanti, 1999).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda o incontorn\u00e1vel fato de que nossos vizinhos majoritariamente falam espanhol. A esse respeito, o \u00a7 \u00fanico do art. 4 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 assinala que \u201cA Rep\u00fablica Federativa do Brasil buscar\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social e cultural dos povos da Am\u00e9rica Latina, visando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade latino-americana de na\u00e7\u00f5es\u201d. Contudo, n\u00e3o se pode ignorar o fen\u00f4meno do valor social e de mercado das chamadas l\u00ednguas de prest\u00edgio, e dentre elas a import\u00e2ncia mundial que se observa \u00e0s compet\u00eancias e habilidades em l\u00edngua inglesa para o \u201cpleno desenvolvimento da pessoa\u201d no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento de escolas bil\u00edngues ocorre principalmente em escolas privadas, mas \u00e9 importante considerar que cerca de 80% dos estudantes brasileiros da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica est\u00e3o matriculados em escolas p\u00fablicas. Fato \u00e9 que o interesse por educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue perpassa diferentes classes sociais e faixas et\u00e1rias. N\u00e3o propiciar oportunidades de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue nas redes p\u00fablicas aprofundar\u00e1 ainda mais as j\u00e1 existentes desigualdades no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 estudos que apontam para os benef\u00edcios cognitivos, econ\u00f4micos e sociais dessa forma\u00e7\u00e3o \u2013 maior desenvolvimento da consci\u00eancia metalingu\u00edstica (pela percep\u00e7\u00e3o da arbitrariedade entre sons e escrita), amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de abstra\u00e7\u00e3o e do pensamento anal\u00edtico, maior capacidade de desenvolver criatividade; incremento dos ganhos sociais e econ\u00f4micos; assimila\u00e7\u00e3o de diferentes valores culturais e consequentemente maior toler\u00e2ncia \u00e0 diferen\u00e7a e aos direitos humanos (Ianco-Worrall, 1972; Carmel S. et al, 2013; Bialystok, 2001).<\/p>\n\n\n\n<p>8<\/p>\n\n\n\n<p>2.2 Conceitos de bilinguismo<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, os estudos sobre bilinguismo se centravam nas compet\u00eancias lingu\u00edsticas dos falantes, em conceitua\u00e7\u00f5es como \u201cnative-like control of two langages\u201d (dom\u00ednio nativo de duas l\u00ednguas), (Bloomfield, 1933); \u201ccomplete meaningful utterances in the other language\u201d (enunciados completos e significativos), (Haugen, 1953). Para Bloomfield, era como se o falante bil\u00edngue comportasse dois falantes monol\u00edngues, enquanto para Haugen, seria bil\u00edngue quem produzisse enunciados apropriados em duas l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p>Contemporaneamente, conceitos de bilinguismo envolvem tanto aspectos lingu\u00edsticos como sociais e culturais. \u00c9 visto como bil\u00edngue algu\u00e9m que \u201cregularly use two or more languages in their everyday lives\u201d (usa duas ou mais l\u00ednguas no seu cotidiano), (Grosjean, 1989). Ou seja, o conceito abrange graus de dom\u00ednio lingu\u00edstico e apropria\u00e7\u00e3o cultural decorrentes da frequ\u00eancia e da qualidade de uso da segunda l\u00edngua, dos contextos envolvidos, dos interlocutores e dos meios dispon\u00edveis para a intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conceitos comumente utilizados para demarcar o processo temporal de aquisi\u00e7\u00e3o compreendem \u201cbilinguismo sucessivo\u201d \u2013 no qual a segunda l\u00edngua \u00e9 aprendida posteriormente \u00e0 l\u00edngua materna; e \u201cbilinguismo simult\u00e2neo\u201d \u2013 no qual as duas l\u00ednguas s\u00e3o aprendidas simultaneamente, a exemplo de quando os pais falam l\u00ednguas diferentes. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade do processo temos o \u201cbilinguismo equilibrado\u201d \u2013 no qual h\u00e1 balanceamento no desenvolvimento das l\u00ednguas; e \u201cbilinguismo dominante\u201d \u2013 no qual uma l\u00edngua predomina sobre a outra. Isso infelizmente ocorre em comunidades ind\u00edgenas, quando a segunda, l\u00edngua portuguesa, solapa a l\u00edngua ind\u00edgena origin\u00e1ria. Quando ambas as l\u00ednguas s\u00e3o igualmente valorizadas, temos um \u201cbilinguismo aditivo\u201d; quando apenas uma o \u00e9, temos um \u201cbilinguismo subtrativo\u201d. Em s\u00edntese, o fen\u00f4meno do bilinguismo na contemporaneidade abarca distintos pontos de vista e conceitua\u00e7\u00f5es, sobretudo em raz\u00e3o de certo senso comum de que o fen\u00f4meno lingu\u00edstico e cultural n\u00e3o \u00e9 estanque. Da\u00ed a simultaneidade de concep\u00e7\u00e3o, teorias e pr\u00e1ticas (Megale, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo relativamente recente entre n\u00f3s estudos acad\u00eamicos sistem\u00e1ticos sobre bilinguismo, a maior parte das refer\u00eancias \u00e9 estrangeira e em l\u00edngua inglesa. Elas englobam a singularidade das experi\u00eancias, dos tempos e dos est\u00edmulos de aprendizagem em cada etapa de desenvolvimento do percurso lingu\u00edstico. Isso incluiu as fun\u00e7\u00f5es de cada componente curricular, a exemplo das estruturas de senten\u00e7as, frases, discurso; os usos cotidianos da l\u00edngua; as especificidades da linguagem acad\u00eamica das disciplinas e suas exig\u00eancias, modos de racioc\u00ednio e formula\u00e7\u00f5es. Do mesmo modo, a necessidade de se levar em considera\u00e7\u00e3o os sujeitos da aprendizagem e as conex\u00f5es, facilidades e dificuldades decorrentes da proximidade ou dist\u00e2ncia entre a l\u00edngua materna e a segunda l\u00edngua, assim como os aspectos culturais e sociais envolvidos. Tudo isso \u00e9 parte do entendimento de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue nas melhores pr\u00e1ticas sugeridas pela literatura internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento de uma boa educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue requer honestidade e compreens\u00e3o dos est\u00e1gios de aprendizagem, assim como a sua exig\u00eancia de coer\u00eancia entre tempos de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua, did\u00e1tica, recursos e metodologias tendo em vista os objetivos de aprendizagem estabelecidos no projeto pedag\u00f3gico da institui\u00e7\u00e3o educacional, e na adequa\u00e7\u00e3o aos horizontes dos seus estudantes e \u00e0 exequibilidade consoante o dom\u00ednio t\u00e9cnico lingu\u00edstico e dos componentes curriculares pelos seus professores. Por isso a relev\u00e2ncia da clareza conceitual sobre qual o significado dado \u00e0 express\u00e3o \u201ceduca\u00e7\u00e3o bil\u00edngue\u201d. Nesse sentido, a simples adi\u00e7\u00e3o de horas de instru\u00e7\u00e3o na segunda l\u00edngua n\u00e3o configura uma educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento n\u00e3o impede diferentes formula\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas e pol\u00edticas educacionais que contemplem bilinguismo, desde que se considere os fundamentos da educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue. Com isso em mente, a exemplo do que ocorre no mundo, \u00e9 poss\u00edvel fazer frente \u00e0 diversidade de interesse do p\u00fablico e \u00e0s contig\u00eancias locais considerando as singularidades do<\/p>\n\n\n\n<p>9<\/p>\n\n\n\n<p>desenvolvimento cognitivo, ps\u00edquico e social dos estudantes no contexto de propostas educacionais efetivamente bil\u00edngues.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u201cprojeto de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue\u201d deve explicitar os seus pressupostos te\u00f3ricos, metodologias, materiais did\u00e1ticos e curr\u00edculo em conson\u00e2ncia com a exist\u00eancia de quadros profissionais capazes de tornar realidade a sua proposta de educa\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico atendido.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que h\u00e1 aspectos comuns entre o aprendizado da l\u00edngua materna e o da segunda l\u00edngua: a no\u00e7\u00e3o de variedade lingu\u00edstica nos registros e estilos da fala, leitura e escrita; as diferen\u00e7as dialetais sociais ou regionais; os processos que facilitam a amplica\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio lingu\u00edstico; as unidades b\u00e1sicas que fundamentam o conhecimento da l\u00edngua \u2013 elementos de fonologia, morfologia e sintaxe; as rela\u00e7\u00f5es entre linguagem e letramento; e os processos sociais e culturais de intera\u00e7\u00e3o que enriquecem a internaliza\u00e7\u00e3o e propiciam maior dom\u00ednio da l\u00edngua em diferentes situa\u00e7\u00f5es de fala, leitura e escrita (Ada; Baker, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Se bem trabalhada, a decorr\u00eancia do postulado da exist\u00eancia de similitudes entre o aprendizado da l\u00edngua materna e da segunda l\u00edngua pode inclusive favorecer melhor desempenho no aprendizado da l\u00edngua materna. \u00c9 que o aprendizado de uma outra l\u00edngua, na perspectiva bil\u00edngue, remete \u00e0 multiplicidade de perspectivas culturais, o que engloba n\u00e3o somente as estrangeiras, mas tamb\u00e9m as diferentes culturas e modo de vida no proprio territ\u00f3rio nacional. Desse ponto de vista, a perspectiva educacional bil\u00edngue lan\u00e7a luz para o fato de que o modo como vivemos e entendemos o mundo \u00e9 signat\u00e1rio de uma cultura \u2013 conjunto de conhecimentos, costumes, cren\u00e7as, pressupostos, valores e vis\u00f5es de mundo que comportam igualmente analogias e diferen\u00e7as, interna e externamente. Ser exposto a uma outra cultura, outra l\u00edngua, permitem maior entendimento da nossa pr\u00f3pria e nos torna mais aptos \u00e0 cidadania requerida pelo s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>2.3 Escolas bil\u00edngues na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n\n\n\n<p>No continente latino-americano \u00e9 comum a verifica\u00e7\u00e3o de que a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica n\u00e3o tem conseguido proporcionar n\u00edveis adequados de profici\u00eancia em l\u00edngua inglesa. As motiva\u00e7\u00f5es que impulsionaram tentativas de incremento s\u00e3o comumente relacionadas \u00e0s necessidades de comunica\u00e7\u00e3o internacional, \u00e0 competitividade econ\u00f4mica e \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios. Mas s\u00e3o diferentes as estrat\u00e9gias, os programas e os investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo sobre a qualidade do aprendizado de l\u00edngua inglesa na Am\u00e9rica Latina identificou avan\u00e7os e desafios nas escolhas feitas em pa\u00edses como Argentina, Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, Costa Rica, Equador, M\u00e9xico, Panam\u00e1, Peru e Uruguai. Esses pa\u00edses concentravam 84% da popula\u00e7\u00e3o e do 87% do Produto Interno Bruto (PIB) da regi\u00e3o em 2015. Mesmo sendo marcadamente hispan\u00f3fona, 68% dos executivos apontam o ingl\u00eas como a principal l\u00edngua dos neg\u00f3cios, contra 6% do espanhol e 8% do Mandarim (Cronquist, K; Fiszbein, A., 2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores utilizados no estudo se basearam na exist\u00eancia de pol\u00edtica de ensino da l\u00edngua inglesa na rede p\u00fablica que integrasse:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>plano nacional<\/li><li>qualifica\u00e7\u00e3o de professores<\/li><li>objetivos de aprendizagem<\/li><li>padr\u00f5es de ensino-aprendizagem<\/li><li>avalia\u00e7\u00e3o de profici\u00eancia de professores e estudantesBrasil e Argentina eram apontados como os \u00fanicos a n\u00e3o terem definido padr\u00f5es de aprendizagem espec\u00edficos para a l\u00edngua inglesa \u2013 isso foi antes da BNCC. De um lado, Col\u00f4mbia, Panam\u00e1 e Peru apostaram no treinamento de professores no exterior. O Peru, em especial, tinha somente 27% dos professores do Ensino Fundamental habilitados para o ensino<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>10<\/p>\n\n\n\n<p>de l\u00edngua inglesa. Chile (Programa Ingl\u00e9s Abre Puertas \u2013 PIAP) e Uruguai (Plan Ceibal) empreendem esfor\u00e7os na educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue na rede p\u00fablica h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, e colhem os frutos desse trabalho. Em termos de longevidade s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es no continente. Iniciativas an\u00e1logas que objetivam desenvolvimento consistente em l\u00edngua inglesa para os estudantes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica ocorrem na Col\u00f4mbia (Colombia Biling\u00fce); na Costa Rica (Ense\u00f1anza del Ingl\u00e9s como Lengua Extrajeira \u2013 EILE); e no M\u00e9xico (Programa Nacional de Ingl\u00e9s \u2013 PRONI).<\/p>\n\n\n\n<p>Decorrentes das limita\u00e7\u00f5es dos modelos tradicionais de ensino, o ponto de partida que fomentou essas op\u00e7\u00f5es de enfrentamento ao baixo n\u00edvel de profici\u00eancia em l\u00edngua inglesa se assemelha a motiva\u00e7\u00f5es an\u00e1logas na Europa (Blondin et al, 1999). Em 1996, a Espanha focou na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, ofertando inicialmente educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue para aproximadamente 1200 crian\u00e7as a partir de 3 anos de idade em pouco mais de 40 escolas p\u00fablicas, tendo posteriormente alcan\u00e7ado mais de 200 mil estudantes (Dobson, A; P\u00e9rez Murillo, M; Johnstone, R., 2010).<\/p>\n\n\n\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o com os resultados inadequados frente \u00e0s exig\u00eancias econ\u00f4micos e as necessidades de aprender continuamente mobilizam a\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses. De um lado, v\u00ea-se a inconteste consolida\u00e7\u00e3o da l\u00edngua inglesa como l\u00edngua franca da globaliza\u00e7\u00e3o dos mercados; de outro, o seu amplo dom\u00ednio nas pesquisas cientificas de ponta e nos desenvolvimentos digitais. Das experi\u00eancias com educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, especialmente na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, podemos destacar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Busca pela integra\u00e7\u00e3o da segunda l\u00edngua ao curr\u00edculo da escola<\/li><li>Incentivo \u00e0 diversidade cultural<\/li><li>Est\u00edmulo ao uso de metodologias e tecnologias contempor\u00e2neas<\/li><li>Eventual uso de certifica\u00e7\u00e3o de profici\u00eancia<\/li><li>Foco nos primeiros anos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<\/li><li>Oferta de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue a todos os estudantes das institui\u00e7\u00f5es quedesenvolvem o programa<\/li><li>Constru\u00e7\u00e3o de referenciais e guias de boas pr\u00e1ticas<\/li><li>Envolvimento de professores, pais, estudantes e especialistas na arquitetura dosprojetos educacionais<\/li><li>Leitura, escrita, audi\u00e7\u00e3o e fala s\u00e3o introduzidas desde o in\u00edcio do programa<\/li><li>Participa\u00e7\u00e3o de especialistas no assessoramento das escolas2.4 Escolas bil\u00edngues no BrasilFaltam-nos dados sobre o recente fen\u00f4meno da educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue no Brasil. N\u00e3o sabemos a extens\u00e3o dos projetos, a concep\u00e7\u00e3o de bilinguismo utilizada e nem as metodologias utilizadas, sobretudo na rede privada (Megale, A., 2019). J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento da demanda e da oferta, com base no Censo Escolar de 2018, havia estimativas de 3% das cerca de 40 mil escolas privadas oferecendo algum tipo de ensino bil\u00edngue. Quando se considera apenas o contingente de matr\u00edculas das escolas privadas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil e Ensino Fundamental, cerca de 9 milh\u00f5es (18,4% do total), as estimativas eram entre 270 e 360 mil estudantes. Comparativamente, na Argentina, Chile e Uruguai esses \u00edndices eram, respectivamente de 10% (Marini, E., 2018).Vinculada principalmente \u00e0 rede privada, a maior parte da oferta de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue no Brasil envolve a l\u00edngua portuguesa e a l\u00edngua inglesa. A variedade de curr\u00edculos contempla: 1) integra\u00e7\u00e3o curricular a objetivos de ensino-aprendizagem bem definidos; e 2) simples acr\u00e9scimo de carga hor\u00e1ria sem que isso implique concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o propriamente bil\u00edngue. Entre esses dois extremos temos uma massa amorfa e cinzenta de estrat\u00e9gias sobretudo mercadol\u00f3gicas. Conforme Megale, op. cit., as iniciativas se baseiam nos seguintes par\u00e2metros:<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>11<\/p>\n\n\n\n<p>Curr\u00edculos<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Curr\u00edculo \u00fanico (portugu\u00eas e segunda l\u00edngua integrados)<\/li><li>Curr\u00edculo adicional<ul><li>Sistema de Ensino (Content and Language Integrated Learning (CLIL)<\/li><li>Duplo enfoque (L\u00edngua adicional)<\/li><\/ul><\/li><li>Curr\u00edculo Optativo (complemento, projeto, CLIL)M\u00e9todos<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Content and Language Integrated Learning (CLIL) \u2022 Interdisciplinaridade<ul><li>L\u00edngua adicional como l\u00edngua de instru\u00e7\u00e3o<\/li><li>Forma\u00e7\u00e3o hol\u00edstica (conte\u00fado, cultura, cogni\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o)<\/li><\/ul><\/li><li>Content-Based Instruction (CBI)<ul><li>L\u00edngua adicional como ferramenta para adquirir informa\u00e7\u00e3o<\/li><li>Foco na comunica\u00e7\u00e3o aut\u00eantica<\/li><li>Foco na abordagem comunicativaObjetivos<\/li><\/ul><\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Amplia\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio lingu\u00edstico<\/li><li>Incremento de pr\u00e1ticas interculturais<\/li><li>Linguagem da aprendizagem<\/li><li>Linguagem para a aprendizagem<\/li><li>Linguagem por meio da aprendizagem<\/li><li>Multiplicidade de leituras do mundo<\/li><li>Quantidade de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua adicional<\/li><li>Qualidade da intera\u00e7\u00e3o\/intensidade<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>\u2022 (sala de aula, contexto escolar, comunidade)<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Melhorar a qualidade da proposta pedag\u00f3gica<\/li><li>Coer\u00eancia entre concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, metodologias e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas<\/li><li>Projeto (princ\u00edpios, valores, viv\u00eancias)<\/li><li>Plano (metas, objetivos, procedimentos)Frequentemente, a integra\u00e7\u00e3o curricular pressup\u00f5e que algumas disciplinas sejam ofertadas em l\u00edngua portuguesa e outras na l\u00edngua estrangeira, essencialmente o ingl\u00eas. Quase sempre, trata-se de escolas que nasceram com projeto de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue. Diferentemente, as que optam pelo curr\u00edculo adicional visam incorporar a segunda l\u00edngua por meio de servi\u00e7os especializados em educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue. Nesse contexto, \u00e9 muito utilizado o m\u00e9todo conhecido como Content and Language Integrated Learning (CLIL), em portugu\u00eas, Aprendizado Integrado em L\u00edngua e Conte\u00fado. Essa abordagem busca conciliar a imers\u00e3o na l\u00edngua e na cultura com o aprendizado de conte\u00fados curriculares. J\u00e1 o curr\u00edculo optativo se caracteriza por oferecer atividades complementares opcionais por meio de projetos, podendo ou n\u00e3o utilizar o CLIL.As abordagens mais utilizadas, Aprendizado Integrado entre L\u00edngua e Conte\u00fado (CLIL) e a Instru\u00e7\u00e3o baseada em Conte\u00fado (CBI), buscam integrar a aprendizagem da segunda l\u00edngua \u00e0 aprendizagem de conte\u00fados e desenvolvimento de compet\u00eancias e habilidades. Mas h\u00e1 especificidades entre elas. O CLIL se baseia em 5 princ\u00edpios: 1. focos m\u00faltiplos<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>12<\/p>\n\n\n\n<p>(interdisciplinaridade); 2. protagonismo do aprendiz (com base na coopera\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o); 3. autenticidade (considera\u00e7\u00e3o do seu background e interesses); 4. ambiente de ensino- aprendizagem (marcado pela experimenta\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica progressiva); e 5. constru\u00e7\u00e3o do conhecimento criativo e cr\u00edtico (foco nas habilidades, atitudes, interesses e experi\u00eancias). Por sua vez, o CBI se desenvolveu a partir de abordagens direcionadas ao aprimoramento da capacidade de comunica\u00e7\u00e3o. Seus princ\u00edpios s\u00e3o: 1. Uso aut\u00eantico da segunda l\u00edngua para adquirir informa\u00e7\u00f5es; 2. rela\u00e7\u00e3o entre conte\u00fado e necessidade dos estudantes. O CLIL \u00e9 extensamente utilizado nos componentes curriculares tradicionais, enquanto o CBI n\u00e3o \u00e9 utilizado em todas as \u00e1reas do conhecimento (Souza, R., 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas abordagens est\u00e3o em sintonia com as indica\u00e7\u00f5es descritas com as compet\u00eancias e habilidades do s\u00e9culo XXI sugeridas pela UNESCO: pensamento cr\u00edtico e solu\u00e7\u00e3o de problemas; criatividade; comunica\u00e7\u00e3o; e coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, parte significativa das escolas bil\u00edngues privadas do pa\u00eds operam pelo acr\u00e9scimo de conte\u00fados na grade hor\u00e1ria, frequentemente por meio de op\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 arte, computa\u00e7\u00e3o ou pelo refor\u00e7o aos componentes curriculares tradicionais \u2013 geografia, hist\u00f3ria, matem\u00e1tica. Ou seja, s\u00e3o escolas de ensino tradicional que acrescentam programas bil\u00edngues.<\/p>\n\n\n\n<p>Em praticamente todas as unidades federativas do pa\u00eds h\u00e1 alguma oferta de l\u00edngua estrangeira em escolas p\u00fablicas, frequentemente o ingl\u00eas, na Educa\u00e7\u00e3o Infantil ou nos anos iniciais do Ensino Fundamental, algo como 2800 munic\u00edpios (Tanaka, J., 2017). \u00c9 o caso de Londrina\/PR, cujo \u201cProjeto Londrina Global\u201d, iniciado por meio da Delibera\u00e7\u00e3o 03\/2007, oferece aulas de l\u00edngua inglesa do 1o ao 5o ano da Ensino Fundamental. O programa visa a forma\u00e7\u00e3o integral, articulando elementos l\u00fadicos, interdisciplinares e interculturais. Contando com projeto pedag\u00f3gico pr\u00f3prio, modalidades de v\u00ednculo com professores e forma\u00e7\u00e3o continuada, j\u00e1 alcan\u00e7ou mais de 10 mil estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio do Decreto 31.187\/2009, o Rio de Janeiro instituiu o \u201cPrograma Rio Crian\u00e7a Global\u201d, programa experimental bil\u00edngue que se iniciou em 2013. Em 2019, o projeto abarcava 28 escolas bil\u00edngues nas comunidades do Complexo do Alem\u00e3o e Complexo da Mar\u00e9, \u00e1reas de vulnerabilidade social que concentram 31 favelas e cerca de 200 mil habitantes. Estendendo-se da Educa\u00e7\u00e3o Infantil ao 6o do Ensino Fundamental, eram 14 escolas com l\u00edngua portuguesa e ingl\u00eas como segunda l\u00edngua; 11 com espanhol; 3 com alem\u00e3o; e 1 com franc\u00eas. Os eixos centrais eram linguagem, artes, ci\u00eancia e matem\u00e1tica. Na contrata\u00e7\u00e3o de professores, observavam-se as compet\u00eancias orais. Institui\u00e7\u00f5es como UFRJ, UERJ, UFF e PUC-RJ assessoravam o projeto, que ofertava forma\u00e7\u00e3o continuada aos professores quinzenalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 significativas ocorr\u00eancias pelo pa\u00eds de projetos educacionais exitosos no ensino de l\u00edngua estrangeiras, mas isso n\u00e3o significa que todos tenham propostas pass\u00edveis de serem denominadas como educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil e noutros pa\u00edses, as experi\u00eancias bem-sucedidas de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue parecem seguir as 5 recomenda\u00e7\u00f5es essenciais para mudan\u00e7as complexas: 1. vis\u00e3o; 2. habilidades; 3. motiva\u00e7\u00e3o; 4. recursos; e 5. plano de a\u00e7\u00e3o (Villa, R; Thousand, J., 2000).<\/p>\n\n\n\n<p>2.5 BNCC e Educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue<\/p>\n\n\n\n<p>A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estipulou a l\u00edngua inglesa como a \u00fanica l\u00edngua estrangeira obrigat\u00f3ria a partir do 6o ano do Ensino Fundamental. A BNCC estabeleceu campos de experi\u00eancia para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil e campos de atua\u00e7\u00e3o para o Ensino Fundamental e o Ensino M\u00e9dio. Conforme Liberalli (2019):<\/p>\n\n\n\n<p>13<\/p>\n\n\n\n<p>O dom\u00ednio dos saberes para a participa\u00e7\u00e3o nesses campos de experi\u00eancias e de atua\u00e7\u00e3o se mostra essencial em um quadro voltado para a inser\u00e7\u00e3o de alunos em um mundo superdiverso e multil\u00edngue. E isso se torna poss\u00edvel quando a reflex\u00e3o sobre o curr\u00edculo \u00e9 perpassada por uma compreens\u00e3o de como a linguagem, em suas m\u00faltiplas formas, organiza esse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os campos de experi\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o Infantil compreendem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>eu, o outro e o n\u00f3s \u2013 Intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com os pares e com adultos para a constitui\u00e7\u00e3o de modos de agir, sentir, pensar e descobrir.<\/li><li>Corpo, gestos e movimentos \u2013 Explora\u00e7\u00e3o do mundo, do espa\u00e7o e dos objetos por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados ou espont\u00e2neos.<\/li><li>Tra\u00e7os, sons, cores e formas \u2013 Conviv\u00eancia com diferentes ma- nifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, culturais e cient\u00edficas, locais e universais, como meio de experi\u00eancias diversificadas.<\/li><li>Escuta, fala, pensamento e imagina\u00e7\u00e3o \u2013 Intera\u00e7\u00f5es qualificadas, inclusive com as m\u00faltiplas linguagens, para amplia\u00e7\u00e3o e enri- quecimento do escopo de participa\u00e7\u00e3o no mundo.<\/li><li>Espa\u00e7os, tempos, quantidades, rela\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es \u2013 Constru\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias para o desenvolvimento da curiosidade sobre espa\u00e7os e tempos de diferentes dimens\u00f5es, em um mundo constitu\u00eddo de fen\u00f4menos naturais e socioculturais.J\u00e1 os campos de atua\u00e7\u00e3o do Ensino Fundamental e Ensino M\u00e9dio compreendem:<ul><li>Campo da vida cotidiana (Ensino Fundamental) \u2013 Reflex\u00e3o sobre atividades vivenciadas cotidianamente nos espa\u00e7os dom\u00e9stico, familiar, escolar, cultural e profissional.<\/li><li>Campo da vida pessoal (Ensino M\u00e9dio) \u2013 Reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre a vida contempor\u00e2nea e a condi\u00e7\u00e3o juvenil no Brasil e no mundo.<\/li><li>Campo das pr\u00e1ticas de estudo e de pesquisa \u2013 Apropria\u00e7\u00e3o de modos de explora\u00e7\u00e3o de temas do mundo e das ci\u00eancias em diversos \u00e2mbitos e por m\u00faltiplas perspectivas.<\/li><li>Campo jornal\u00edstico-midi\u00e1tico \u2013 Acesso \u00e0 m\u00eddia informativa (impressa, televisiva, radiof\u00f4nica e digital) e ao discurso publicit\u00e1rio em diferentes contextos mundiais, de maneira cr\u00edtica e expandida.<\/li><li>Campo de atua\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica \u2013 Inser\u00e7\u00e3o nos discursos\/ textos que regulam, prop\u00f5em e reivindicam a conviv\u00eancia em sociedade.<\/li><li>Campo art\u00edstico-liter\u00e1rio \u2013 Valoriza\u00e7\u00e3o, frui\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o demanifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, com base em crit\u00e9rios est\u00e9ticos e no exerc\u00edcio da sensibilidade.Os campos de experi\u00eancia para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil e os campos de atua\u00e7\u00e3o previstos para o Ensino Fundamental e Ensino M\u00e9dio constituem material indispens\u00e1vel para o planejamento do curr\u00edculo das escolas bil\u00edngues no Brasil.Entretanto, a BNCC n\u00e3o estipulou objetivos de aprendizagem para a l\u00edngua inglesa em termos de profici\u00eancia a ser atingida na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. N\u00e3o temos par\u00e2metros nacionais de<\/li><\/ul><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>14<\/p>\n\n\n\n<p>avalia\u00e7\u00e3o ou testes padronizados de profici\u00eancia, a exemplo do EF SET, IELTS, TOEFL iBT, Cambridge English Scale, Global Scale of English ou Common European Framework of Reference for Languages: Learning, Teaching, Assessment (CEFR), em portugu\u00eas, Quadro Comum Europeu de Refer\u00eancia para as L\u00ednguas: Aprendizagem, Ensinamento, Avalia\u00e7\u00e3o, conforme segue:<\/p>\n\n\n\n<p>B\u00e1sico Independente Dom\u00ednio pleno<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 2018, o CEFR acrescentou a categoria \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d, que envolve colabora\u00e7\u00e3o, capacidade de s\u00edntese e relacionamento intercultural. Essa compet\u00eancia est\u00e1 em conson\u00e2ncia com as compet\u00eancias do s\u00e9culo XXI e as 10 compet\u00eancias gerais da BNCC. O CEFR contempla refer\u00eancias para todos os n\u00edveis de profici\u00eancia e ainda contempla dom\u00ednios relativos \u00e0 esfera individual, p\u00fablica, laboral e educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia internacional mostra a ado\u00e7\u00e3o de algum modelo ou a configura\u00e7\u00e3o nacional a partir da adapta\u00e7\u00e3o dos existentes. De todo modo, refer\u00eancias sobre a qualidade do aprendizado s\u00e3o fundamentais para avaliar o trabalho feito e para orientar etapas subsequentes do ensino, al\u00e9m de nos colocar em sintonia com o que \u00e9 feito no mundo. Da\u00ed a import\u00e2ncia da utiliza\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de qualidade na averi\u00e7\u00e3o de profici\u00eancia para professores e estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 VOTO DO RELATOR<\/p>\n\n\n\n<p>Voto pela aprova\u00e7\u00e3o das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Bil\u00edngue na forma deste Parecer e do Projeto de Resolu\u00e7\u00e3o em anexo, do qual \u00e9 parte integrante.<\/p>\n\n\n\n<p>Bras\u00edlia (DF),<\/p>\n\n\n\n<p>Conselheiro Ivan Cl\u00e1udio Pereira Siqueira \u2013 Relator<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 DECIS\u00c3O DA C\u00c2MARA<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00edvel Compet\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<p>B\u00c1SICO<\/p>\n\n\n\n<p>AI<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciante<\/p>\n\n\n\n<p>A2<\/p>\n\n\n\n<p>INDEPENDENTE<\/p>\n\n\n\n<p>B1<\/p>\n\n\n\n<p>Intermedi\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>B2<\/p>\n\n\n\n<p>PROFICIENTE<\/p>\n\n\n\n<p>C1<\/p>\n\n\n\n<p>Proficiente<\/p>\n\n\n\n<p>C2<\/p>\n\n\n\n<p>15<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<p>ADA, A.; BAKER, C. A parents\u2019 and teachers\u2019 guide to bilingualism. Clevedon: Multilingual Matters, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>BARRON-HAUWAERT, S. Language strategies for bilingual families:The one-parent-one-language approach. Clevedon: Multilingual Matters, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>BIALYSTOK, E. Bilingualism in development: Language, literacy and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>BLONDIN, C., et al. Taeschner. Foreign languages in primary and pre-school education. A review of recent research within the European Union. London: CILT, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>BLOOMFIELD, L. Language. New York: Holt, 1933.<br>BOURGOGNE, A. Be bilingual: Practical ideas for multilingual families. Kindle Edition, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educa\u00e7\u00e3o Infantil e Ensino Fundamental. Bras\u00edlia: MEC\/Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>______. Base Nacional Comum Curricular: Ensino M\u00e9dio. Bras\u00edlia: MEC\/Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>CARMEL, S. et al. Multiculturalism and Creativity: Effects of Cultural Context, Bicultural Identity, and Ideational Fluency. Social Psycholofical and Personality Science, v. 4, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>CAVALCANTI, M. Estudos sobre educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue e escolariza- \u00e7\u00e3o em contextos de minorias lingu\u00edsticas no Brasil. D.E.L.T.A., v. 15, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>CRONQUIST, K; FISZBEIN, A. English Language Learning in Latin America. The dialogue, September 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>CUMMINS, J. \u201cBilingual education: Basic principles\u201d. In J. Dewaele; HOUSEN, A. ; WEI, L. Bilingualism: Beyond basic principles (Kindle edition). Clevedon: Multilingual Matters, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>CUNNINGHAM-ANDERSSON, U.; ANDERSSON, S.. Growing up with two languages: A practical guide 2nd edition. London: Routledge, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>DOBSON, A; P\u00c9REZ MURILLO, M; JOHNSTONE, R. Bilingual Education Project Spain Evaluation Report. Spain: British Council, Gobierno de Espa\u00f1a, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>GARC\u00cdA, O.; WEI, L. Translanguaging: language, bilingualism, and education. Londres: Palgrave Macmillan, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>GARROUSTE, C. Language skills and economic returns. Policy Futures in Education, n. 6, v. 2, 2008. GROSJEAN, F. Bilingual: Life and reality (Kindle ed.). Cambridge, Mass: Harvard University Press,<\/p>\n\n\n\n<p>2010.<br>________________. Neurolinguists, beware! The bilingual is not two monolinguals in one person.<\/p>\n\n\n\n<p>Brain and Language, n. 36, v. 1, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>HAMERS, J.; BLANC, M. Bilinguality and bilingualism. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>16<\/p>\n\n\n\n<p>HAUGEN, E. The Norwegian language in America. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1953.<\/p>\n\n\n\n<p>IANCO-WORRALL, A. Bilingualism and cognitive development. Child Development, n. 43, 1390- 1400, 1972.<\/p>\n\n\n\n<p>LIBERALLI, F. \u201cA BNCC e a elabora\u00e7\u00e3o de curr\u00edculos para Educa\u00e7\u00e3o Bil\u00edngue\u201d. In: MEGALE, A. (Org.) Educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue no Brasil. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Santillana, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>MAHER, T. Do casulo ao movimento: a suspens\u00e3o das certezas na educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue e intercultural. In: CAVALCANTI, M.; BORTONI-RICARDO, S. (Orgs.). Transculturalidade, linguagem e educa\u00e7\u00e3o. Campinas: Mercado de Letras, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>MARINI, E. A expans\u00e3o das escolas bil\u00edngues no Brasil. Revista Educa\u00e7\u00e3o, ed. 251, 06ago2018. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/revistaeducacao.com.br\/2018\/08\/06\/expansao-das-escolas-bilingues-no- brasil\/&gt; Acesso em: 17 de maio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>MEGALE, A. (Org.) Educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue no Brasil. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Santillana, 2019.<br>MEHISTO, P.; MARSH, D.; FRIGOLS, M. J. Uncovering CLIL: content and language integrated<\/p>\n\n\n\n<p>learning in bilingual and multilingual education. Oxford: Macmillan, 2008.<br>PEAL, E.; LAMBERT, W. The relationship of bilingualism to intelligence. Psychological Monographs,<\/p>\n\n\n\n<p>n. 76, v. 27, 1962.<br>SOUZA, R. \u201cMetodologias para a Educa\u00e7\u00e3o Bil\u00edngue\u201d. In: MEGALE, A. (Org.) Educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue no<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Santillana, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>VAN WECHEM, M.; HALBACH, A. A Parents\u2019 guide to bilingualism. Madrid: British Council, Universidad de Alcal\u00e1, Macmillan Education, s\/d.<\/p>\n\n\n\n<p>WANG, L. Growing up with three languages: Birth to eleven. Bristol: Multilingual Matters, 2008. WEI, L. \u201cDimensions of bilingualism\u201d. In: The bilingualism reader. Londres; Nova York: Routledge, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>TANACA, J. Aprendizagem expansiva em espa\u00e7os h\u00edbridos de forma\u00e7\u00e3o continuada de professoras de ingl\u00eas para crian\u00e7as no projeto Londrina Global, 2017. Tese. (Doutorado em Estudos da Linguagem).<\/p>\n\n\n\n<p>Universidade Estadual de Londrina.<\/p>\n\n\n\n<p>VILLA, R; THOUSAND, J. Restructuring for Caring and Effective Education: Piecing the Puzzle<\/p>\n\n\n\n<p>Together. Michigan University: Brookes Publishing, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>17<\/p>\n\n\n\n<p>MINIST\u00c9RIO DA EDUCA\u00c7\u00c3O CONSELHO NACIONAL DE EDUCA\u00c7\u00c3O C\u00c2MARA DE EDUCA\u00c7\u00c3O B\u00c1SICA<\/p>\n\n\n\n<p>PROJETO DE RESOLU\u00c7\u00c3O No DE 2020<\/p>\n\n\n\n<p>Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Bil\u00edngue<\/p>\n\n\n\n<p>O Presidente da C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, no uso de suas atribui\u00e7\u00f5es legais e tendo em vista o disposto na Lei n. 9.131 de 24 de novembro de 1995, Lei n. 9.394 de 20 de dezembro de 1996&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<p>CONSIDERANDO o exposto no Parecer CNE\/CEB no Resolve:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1o Esta Resolu\u00e7\u00e3o normatiza requisitos b\u00e1sicos para a oferta de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue por escolas bil\u00edngues ou escolas internacionais conforme os termos do Parecer.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1o Escolas internacionais s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es escolares no Brasil que cumprem os requisitos legais do pa\u00eds de origem:<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 para efeito de reconhecimento de estudos e certifica\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio nacional, as escolas internacionais devem cumprir a legisla\u00e7\u00e3o e as normas educacionais brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 para efeito de reconhecimento de estudos e certifica\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio nacional, as escolas internacionais brasileiras no exterior devem cumprir a legisla\u00e7\u00e3o e as normas educacionais brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2o Escolas bil\u00edngues se caracterizam por promover rotinas de imers\u00e3o cultural e lingu\u00edstica na segunda l\u00edngua, observando:<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 tempos de instru\u00e7\u00e3o nas l\u00ednguas envolvidas, abrangendo no m\u00ednimo 3\/4 da carga hor\u00e1ria na segunda l\u00edngua na educa\u00e7\u00e3o infantil, 1\/3 no ensino fundamental e 1\/4 no ensino m\u00e9dio.<br>II \u2013 que a segunda l\u00edngua deve ser meio de instru\u00e7\u00e3o de disciplinas, e n\u00e3o somente de aprendizado lingu\u00edstico nos moldes hist\u00f3ricos e tradicionais do ensino de l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 abordagens pedag\u00f3gicas compat\u00edveis com conceitos de bilinguismo intercultural.<\/p>\n\n\n\n<p>18<\/p>\n\n\n\n<p>IV \u2013 o desenvolvimento de compet\u00eancias e habilidades lingu\u00edsticas e culturais na segunda l\u00edngua conforme compet\u00eancias e habilidades dispostas na BNCC.<br>V \u2013 que os modelos pedag\u00f3gicos e o curr\u00edculo das escolas bil\u00edngues n\u00e3o podem promover segrega\u00e7\u00e3o entre os estudantes do seu estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>VI \u2013 que as escolas bil\u00edngues n\u00e3o podem se utilizar de modelos de bilinguismo que favorecem concep\u00e7\u00f5es assimilacionaistas e reducionistas de aprendizagem, e cujo objetivo ou resultado n\u00e3o \u00e9 o desenvolvimento das duas l\u00ednguas e culturas, mas sim o apagamento de uma delas \u2013 o que ocorre especialmente nas escolas ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>VII \u2013 sem preju\u00edzo das disposi\u00e7\u00f5es desta Resolu\u00e7\u00e3o, as escolas bil\u00edngues ind\u00edgenas ou que acolham popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas devem cumprir o disposto na legisla\u00e7\u00e3o e normas educacionais ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2o Professores de escolas bil\u00edngues em todas os n\u00edveis e etapas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica devem ter licenciatura na segunda l\u00edngua ou teste de profici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3o No \u00e2mbito de suas atribui\u00e7\u00f5es, os sistemas de ensino devem regulamentar a educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue no seu \u00e2mbito de compet\u00eancia estabelecendo:<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 requisitos de profici\u00eancia para os professores que atuam em escolas bil\u00edngues. II \u2013 condi\u00e7\u00f5es de certifica\u00e7\u00e3o de profici\u00eancia para professores e estudantes.<br>III \u2013 pol\u00edticas de avalia\u00e7\u00e3o de ensino e aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4o Recomenda-se ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e as redes p\u00fablicas de ensino o estabelecimento de parcerias com institui\u00e7\u00f5es de reconhecida notoriedade na tem\u00e1tica a fim de promover pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o multil\u00edngue.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5o O PNLD considerar\u00e1 o disposto nesta Resolu\u00e7\u00e3o para o ensino de l\u00edngua estrangeira. Art 6o Recomenda-se ainda ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 cria\u00e7\u00e3o de setor para o desenvolvimento de plataforma digital com materiais e recursos did\u00e1ticos para educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue.<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 fomento \u00e0 pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue envolvendo forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada de professores nas Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior.<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 fomento a bolsas de estudo e a pesquisas acad\u00eamicas interdisciplinares em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o sobre educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue.<\/p>\n\n\n\n<p>IV \u2013 cria\u00e7\u00e3o ou ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o e de certifica\u00e7\u00e3o de profici\u00eancia em n\u00edvel nacional.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A elabora\u00e7\u00e3o de Diretrizes Curriculares Nacionais pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o federal conforme os termos do inciso IV da Lei no 9.394\/96, Diretrizes e Bases da Educacao Nacional (LDB) e al\u00ednea \u201cc\u201d do artigo 9o da Lei no 9.131\/95 sobre as atribui\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara de Educacao B\u00e1sica. As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais 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